O Centro Cultural Coreano no Brasil (CCCB) apresenta, a partir de 12 de junho, a exposição Sopro do Mar – Jeju Haenyeo, mulheres e coletividade. Em cartaz até 30 de agosto, na sede do CCCB, na Avenida Paulista, a mostra mergulha no universo das Haenyeo (pronuncia-se ré-nió), mergulhadoras da ilha de Jeju, na Coreia do Sul, que há gerações colhem frutos do mar em apneia, sem qualquer equipamento de respiração. Com curadoria Jinhee Park, a iniciativa é uma realização do CCCB em parceria com o Jeju Haenyeo Museum e apoio da Associação das Jeju Haenyeo.
As Haenyeo protagonizam uma das tradições mais singulares da Coreia. Reunidas em comunidades, elas mergulham juntas em águas frias e perigosas, vigiando umas às outras e dividindo o conhecimento sobre o ritmo das marés e a colheita marinha, prática conhecida como muljil (물질). A particularidade deste modo de vida, marcado pelo cuidado mútuo e pela solidariedade, foi o que levou a cultura das Jeju Haenyeo a ser inscrita na lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO — reconhecimento que, em 2026, completa dez anos.
Sob o conceito “Nenhum sopro é solitário”, a exposição convida o público a refletir sobre o significado de viver em comunidade em um tempo marcado pelo hiperindividualismo e pela desconexão. O percurso reúne registros fotográficos e audiovisuais da vida e do trabalho coletivo das mergulhadoras, além da exibição dos mulot (물옷), os trajes de mergulho, e de ferramentas utilizadas na pesca.
Um dos pontos altos da mostra é a recriação de espaços emblemáticos da paisagem de Jeju. Entre eles, o bulteok (불턱), estrutura circular de pedra erguida à beira-mar, onde as Haenyeo costumam acender fogueiras para se aquecer, trocar de roupa e secar os trajes antes e depois do mergulho — um lugar de descanso e convívio que simboliza, mais do que qualquer outro, a cultura coletiva das mergulhadoras.
A experiência sonora ocupa lugar central na proposta expositiva. Vídeos retratam o sumbisori (숨비소리), o som inconfundível da respiração que as mergulhadoras emitem ao voltar à superfície depois de longos minutos submersas, somados aos sons do mar e às cenas de trabalho compartilhado.
Parte dos materiais audiovisuais da exposição foi cedida gratuitamente por Lygia Barbosa e Luciano Candisani, diretora e fotógrafo, respectivamente, responsáveis pelo documentário Haenyeo, A Força do Mar, exibido pela TV Cultura e pela National Geographic.
Para Jeong Jeonghee, primeira mulher à frente do Centro Cultural Coreano no Brasil, esta exposição como abertura de sua gestão tem peso simbólico. “É uma honra inaugurar minha gestão à frente do CCCB com uma mostra dedicada ao universo feminino. As haenyeo construíram, dentro da cultura coreana, um lugar que nem sempre foi dado às mulheres: o de protagonistas de suas próprias histórias. Elas se submetem a um trabalho duro e perigoso e sustentam suas famílias e uma tradição centenária a partir do próprio fôlego”, afirma a diretora.
Programação complementar
Ao longo do período de visitação, o público também poderá participar de uma programação complementar. No dia 14 de junho, o Centro Cultural Coreano no Brasil promoverá um bate-papo especial com Carlos Gorito, Embaixador Honorário do Turismo de Jeju, e Jinhee Park, curadora da exposição e pesquisadora da cultura das Haenyeo. O encontro abordará o legado histórico e cultural das mergulhadoras de Jeju, os valores comunitários que caracterizam essa tradição e os atrativos turísticos da ilha.
A programação contará ainda com um painel de discussão com especialistas convidadas, entre elas Yoo Yong-ye, presidente da Associação das Jeju Haenyeo, e a jornalista Koh Mi, que há mais de duas décadas se dedica a documentar a cultura das mergulhadoras de Jeju. Também serão realizadas oficinas de experiências culturais inspiradas nos elementos tradicionais da ilha. A programação completa será divulgada em breve nos canais oficiais do Centro Cultural Coreano no Brasil.
Sobre a curadora
Jinhee Park é doutora em Turismo, com tese dedicada à cultura comunitária das Haenyeo de Jeju como ativo de marca cultural. Sua pesquisa interpreta valores como cuidado, solidariedade, ajuda mútua e comunidade de sobrevivência como recursos capazes de gerar empatia e identificação na sociedade contemporânea, e investiga o papel dos conteúdos audiovisuais na transmissão e preservação do patrimônio imaterial.
Confira aqui as fotos de divulgação.
Sobre o Centro Cultural Coreano no Brasil
O CCCB é uma instituição oficial do governo da República da Coreia, vinculada ao Ministério da Cultura, Esportes e Turismo. Integrante da rede global de Centros Culturais Coreanos presente em 30 países, o CCCB está sediado na Avenida Paulista desde 2019. Com a missão de fortalecer as conexões culturais entre Brasil e Coreia, desenvolve uma programação ampla e multidisciplinar que abrange exposições, mostras de cinema, apresentações musicais, festivais temáticos e atividades educativas. Entre os destaques estão os cursos gratuitos de língua coreana, realizados em parceria com o Instituto Rei Sejong, além de cursos de K-pop, dança tradicional, taekwondo e oficinas temáticas. Em 2025, o Centro recebeu mais de 86 mil visitantes em sua sede e atingiu mais de 463 mil pessoas em eventos pelo Brasil.
Serviço
Sopro do Mar – Jeju Haenyeo, mulheres e coletividade
Realização: Centro Cultural Coreano no Brasil e Jeju Haenyeo Museum
Apoio: Associação das Jeju Haenyeo
Curadora: Jinhee Park
Período: de 12 de junho a 30 de agosto de 2026
Local: Centro Cultural Coreano no Brasil
Endereço: Avenida Paulista, 460
Entrada: Gratuita
