DesolaDor apresenta um retrato poético de Antonin Artaud. No espetáculo que tem autoria e direção de Gabriela Mellão, Artaud surge em cena como um homem em processo de decomposição. O solo protagonizado por Clovys Tôrres busca através da composição dramatúrgica e da concepção de encenação retratar este homem desintegrado pela dor, arruinado pela consciência das faltas do homem de seu tempo. As angústias mais profundas deste pensador, teórico, dramaturgo, ator, diretor e poeta francês fundamental do século XX  se revelam sobretudo sensorialmente na composição de um universo sufocante, expresso através de imagens e palavras. O solo busca investigar conceitos de Artaud unindo linguagem e forma. No espetáculo, a pele de Artaud se desfaz juntamente com sua crença na humanidade, e no teatro de seu tempo. A decomposição é alívio e martírio, problema e solução, doença e cura. O espetáculo foi inspirado em cartas e textos pessoais do autor, escritos como Cadernos de Rodez, que datam de seu período de internação, no manicômio de Rodez, de 1937 a 1946, época em que ele esteve mais fragilizado – mesmo assim, consciente de sua doença e do valor de suas crenças artísticas e humanas. DesolaDor foi escrito há dez anos por Gabriela Mellão, a pedido de Clovys Tôrres. De certa forma, está sendo gestado desde então pela dupla. O crítico de teatro Alberto Guzik escreveu sobre o texto no prefácio do livro  Gabriela Mellão – Coleção Primeiras Obras: “A autora gosta de explorar o universo de personagens reais. É o caso de Vaslav Nijinsky em Nijinsky – Minha Loucura é o Amor da Humanidade, e Antonin Artaud em DesolaDor. Mas não usa essa prospecção para fazer biografias teatrais. O que busca não é o retrato realista destas figuras históricas. Tenta apreender outras dimensões destas almas atormentadas. (...) DesolaDor apresenta uma recriação livre de cartas, trechos de diários, de escritos pessoais deste grande artista que foi Artaud. Este revela-se ao público a partir da recriação de escritos que desvelam para o espectador aquilo que a autora considera como a matéria-prima ao mesmo tempo sábia e louca dos pensamentos do inventor do teatro da crueldade, uma das figuras fulcrais do teatro do século 20, cujas invenções e delírios ecoam ainda hoje em um sem-número de espetáculos e experimentos cênicos ao redor do mundo. (...) É o áspero, o incômodo, que a autora busca em seus textos, não o reconfortante e encorajador. Ela questiona a condição humana e vai até os limites para buscar entender o sentido dessa aventura absurda e exasperante que é nossa vida. Suas figuras são torturadas, estão no limite. Um limite que a autora explora cuidadosa e detalhadamente. Sonda a dimensão dos abismos, lida com o lado negro da força. Suas figuras são complexas, possuem vários níveis de significação. Atrito é a palavra-chave nesse teatro. Atrito dos seres uns contra os outros, atritos dos seres consigo mesmos e com a sociedade. Apesar evidente influencia de dramaturgos como Bernard-Marie Koltès, Harold Pinter e Newton Moreno, entre outros, em sua dramaturgia, a escritora encontra uma voz própria para dizer suas histórias. Tem olhar inquieto dos poetas que exploram os aspectos noturnos de suas criações. A loucura, o suicídio, os desajustes, as incertezas, as despersonalizações, todos esses lados opacos da personalidade humana povoam seu textos. Ela faz um teatro pouco palatável. Não são peças para o público que busca no teatro um pouco de entretenimento antes da pizza. São obras que nos convidam a mergulhar, a busca as profundidades. Não tenho dúvida de que Gabriela Mellão e suas sofisticada dança de palavras estão destinadas agora a frutificar. E depois, a ficar”. Sinopse Desolador é um retrato poético da dor de Antonin Artaud. No solo, o ator, autor e teórico francês vive processo de decomposição, arruinado pela consciência das faltas do homem de seu tempo, transitando entre lucidez e delírio. DesolaDor Teatro SP Escola (50 lugares) Praça Roosevelt, 210 Informações: (11) 3775.8600 Sexta às 21h30 | Sábado e Segunda às 21h | Domingo às 19h Ingressos: R$ 20 a R$ 40 Classificação: 14 anos Duração: 50 minutos Pré-estreia: dia 16, sexta, às 21h30 Estreia dia 17 de fevereiro de 2108 Temporada: até 19 de março Ficha Técnica: Texto, direção, cenário: Gabriela Mellão Com: Clovys Tôrres Trilha original: Lutz Gallmester Luz: Alexandre Stockler e Gabriela Mellão Fotografia: Giorgio D’Onofrio Debates: SEGUNDAS CONVERSAS – Artaud em Pauta Durante a temporada de DesolaDor acontecerá o Segundas Conversas -  Artaud em Pauta. Trata-se de bate papo informal sobre o espetáculo e o universo de Artaud, logo após o espetáculo, as segundas feiras, com psicólogos e filósofos. A ideia é enriquecer o debate em torno do espetáculo e proporcionar um momento de conversa mais filosófica e psicanalítica a partir dos temas abordados em cena. Dia 19 de fevereiro Após o espetáculo: conversa com Elisabeth Antonelli – psicóloga, psicanalista e mestre em psicologia clínica “Poesia e Psicanalise – a dor de Antonin Artaud” Dia 26 de fevereiro Após o espetáculo: conversa com Tatiana Assadi - Psicóloga “Antonin Artaud- existência e brevidade” Dia 5 de março Após o espetáculo: conversa com Emilio Terron - Filósofo “Poesia, saúde e clínica” Dia 12 de março Após o espetáculo: conversa com Andrea Vistue – Psicóloga “A Loucura em Artaud e a poesia que nos salva” Dia 19 de março Após o espetáculo: conversa com Maria Elisa Pessoa Labaki – Psicanalista “Artaud- Poesia e Finitude”