LETÍCIA RODRIGUES ESTREIA 0 (zero) NO CENTRO DE REFERÊNCIA DA DANÇA

Compartilhe

0 (zero) é uma dança solo de Letícia Rodrigues, que traz ao palco questões autobiográficas sobre uma condição genética que afeta seu corpo. Em cena, corpo, música e um objeto-corpo pneumático compõem uma dança tecida entre fragilidade, limite e respiração. A estreia do solo acontece em duas sessões no Centro de Referência da Dança – dias 17 e 18 de maio, sexta-feira, às 19h e sábado, às 15h – e segue com apresentações dia 25 de maio, sábado, às 18h, na Oficina Cultural Oswald de Andrade e dia 26 de maio, domingo, às 19h, na Capital 35.

Contemplado pelo ProAC Obras Inéditas de Dança 0 (zero) – que fez sua estreia nacional no início de maio no Sesc Campinas, atual sede da Bienal Sesc de Dança – é uma dança desenvolvida na tessitura entre fragilidade, ontogênese (processo evolutivo acerca das alterações biológicas sofridas pelo indivíduo, desde o seu nascimento, até seu desenvolvimento final), limite e erro. Com música ao vivo e projeção de uma videodança, a coreografia é uma pesquisa em dança que tem como impulso uma forte experiência pessoal, onde o corpo da bailarina embrenha-se com um ser pneumático – indissociáveis, que se retroalimentam e respiram juntos – na construção de um espaço que compõe um organismo único.

Há 10 anos Letícia Rodrigues descobriu que possuía uma condição genética que limitava sua materialidade: a Síndrome da Hipermobilidade Benigna ou frouxidão ligamentar, que deixa suas articulações mais moles e pode afetar a estrutura óssea devido a um erro na produção de colágeno. Para ela, 0 (zero) a leva a refletir, a repensar e a trilhar caminhos para seguir adiante profissionalmente. “O espetáculo fala sobre essa minha condição e os sentimentos e sensações que me atravessam, além de questionar como essa condição amplia possibilidades, ao invés de ser limitante. Se há limites, como dançar com isso? O que é o limite para o corpo que dança? Como a dor pode ser revigorante e te fazer ir além para superá-la?”, explica a bailarina.

Começar do zero

Em 0 (zero) Letícia Rodrigues traz para a cena a estética do erro na dança em contraponto com os limites do corpo. “O solo é uma pesquisa em dança que já venho tateando, e que agora compartilho, não como forma de vitimismo, mas buscando a fragilidade enquanto potência para o desenvolvimento de uma dança singular. É o desejo de como devo seguir, como posso continuar dançando e quais serão meus próximos passos. A ideia é de começar do zero, de reaprender”, conta ela.

O espetáculo começa com a bolha gigante (ser pneumático) vazia. Letícia inicia a dança construindo um novo ambiente ao encher a bolha de ar, que representa uma célula ou uma bolsa amniótica. Quando totalmente cheia, a bailarina ocupa os diversos espaços da cena, fora e dentro da bolha – onde acontece a transformação do objeto e do corpo da bailarina como se ambos fossem apenas um.

Além das apresentações, a bailarina Letícia Rodrigues também ministra uma oficina no dia 18 de maio, sábado, das 10h às 13h, no Centro de Referência da Dança.

Sobre Letícia Rodrigues

Atua com trabalhos solos em colaboração com artistas da música, das artes visuais e midiáticas. Tem como foco de pesquisa o processo criativo em dança contemporânea a partir dos diálogos e atravessamentos entre a dança, a música ao vivo e a improvisação, objeto de sua pesquisa de Mestrado CASULO: Corpo Criador. Tem explorado as possibilidades da dança, do corpo e do movimento em videodanças e fotoperformances, em um diálogo estreito com as artes visuais e a música. É Mestra em Educação (UNICAMP), Bacharel e Licenciada em Dança (UNICAMP). Contemplada pela Residência Artística LUGARIZAÇÃO (2017), Intercâmbio e difusão cultural MinC (2013)– realizando Residência Artística no Festival Vodun em Ouidah, Benin e Prêmio FUNARTE Artes Cênicas na Rua (2012).Atuou, como artista da dança, em projetos de referência como: Oficina-montagem Abre Alas/Perch [Lume Teatro (Brasil), Legs on the Wall (Austrália) e Conflux(Escócia)], Projeto Palco Aberto/Sesc Pompeia e Projeto Primeiro Passo/Sesc Pompeia. Apresentou seus trabalhos em Festivais e Mostras de importantes espaços de difusão da dança como Sesc Campinas, Sesc Piracicaba, Sesi Campinas, Centro Cultural São Paulo, Galpão Cine Horto, FUNARTE SP, Virada Cultural Paulista, Cia. Corpos Nômades, Teatro Castro Mendes, Lume Teatro, UNICAMP, UFOP e Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.

CENTRO DE REFERÊNCIA DA DANÇA – Baixos do Viaduto do Chá, s.n. (Galeria Formosa). Telefone – (11) 3214-3249. Capacidade – 60 lugares.

OFICINA CULTURA OSWALD DE ANDRADE

Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro. Telefone – (11) 3222-2662. Capacidade – 30 lugares.

CAPITAL 35

Rua Capital Federal, 35 – Sumaré. Telefone – (11) 3467-3524. Capacidade – 30 lugares.